quinta-feira, 16 de julho de 2009

PROGRAMA DE RESIDÊNCIA DA CIA. ZIKZIRA FAVORECE CONEXÃO ARTÍSTICA ENTRE O BRASIL E A AUSTRÁLIA



Crédito da Foto: André Semenza

O programa de residência da Cia. Zikzira Teatro Físico, trouxe ao Brasil, para uma temporada de três meses, a bailarina australiana Paula Lay. O trabalho, que teve início em abril, vai gerar o curta-metragem "The Big Frost", que incorpora elementos do romance "Orlando", da Virginia Woolf, e está sendo filmado no primeiro conjunto habitacional de Belo Horizonte. Segundo a assessora de imprensa Isabella Grossi, o filme conta ainda com a participação do sopranista mineiro Rodrigo Firpi, que reforça a abordagem site-specific da companhia mineira para locações não convencionais, cujo objetivo é obter uma ressonância poética não confinada ao gênero, envolver as comunidades e revitalizar paisagens urbanas.


A ousada atuação da Cia. Zikzira Teatro Físico está fazendo de Belo Horizonte um cenário propício para as conexões artísticas entre intérpretes-criadores de todo o mundo. O programa “Artist in Residence” é um exemplo concreto disso. Inspirado nas residências da década de 60 - famosas por oferecerem ao artista ampla oportunidade de imersão e criação -, o projeto traz à capital mineira a bailarina australiana Paula Lay, bacharela em Dance Theatre pela University Of Melbourne, para uma temporada no Zikzira Espaço Ação. Escolhida entre os mais de 400 inscritos do Brasil e do exterior, Paula desembarcou no Brasil em meados de abril e, desde então, mergulhou em processos criativos e intercâmbio cultural. O resultado será o curta-metragem “The Big Frost”, que está sendo rodado no Conjunto Habitacional IAPI - o primeiro de Belo Horizonte. A ficção, dirigida pela companhia mineira e co-estrelada pelo sopranista mineiro Rodrigo Firpi, incorpora elementos do romance“Orlando”, um dos grandes exemplares do modernismo inglês e um dos ápices da arte literária de Virginia Woolf.

“O Artist in Residence tem um grande diferencial. Ele não só favorece as produções, mas registra aquilo que não é efêmero, tornando a experiência um subproduto do processo, que ficará registrada para sempre”, observa a coreógrafa e bailarina Fernanda Lippi, co-fundadora da Zikzira ao lado do cineasta europeu André Semenza. O resultado é, mais uma vez, proveniente do trabalho “Devised Theatre” (processo no qual são criadas, em conjunto, as ferramentas de uma peça), que norteia a companhia mineira. Durante a temporada, Paula embrenhou numa atmosfera de criação que envolveu leitura de texto, aulas de teatro físico e dança contemporânea, preparação vocal, canto e pesquisa de campo. Em sintonia com tais práticas, a bailarina australiana também teve a oportunidade de vivenciar a cidade, conhecer algumas produções locais e compreender a política cultural brasileira. “A residência têm sido um processo orgânico que envolve o estudo do movimento e voz, com foco na descoberta do movimento livre. A Cia. Zikzira encoraja a exploração de um estilo pessoal e essa abordagem têm sido fundamental para o meu desenvolvimento”, conta Paula.

Segundo Fernanda Lippi, a escolha do curta-metragem para encerrar a residência não foi ocasional. Como artista independente, Paula já convergia para o audiovisual. Peça-chave do material, o livro “Orlando” foi escolhido numa espécie de processo intuitivo, como lembra a diretora. “Paula se interessou por Virgínia Woolf e a partir daí listamos uma série de títulos instigantes. Depois de muitos brainstorms sobre a intenção do vídeo, optamos por este clássico. A escolha não poderia ter sido melhor”, conta. Ao priorizar o Conjunto Habitacional IAPI, por sua vez, a Cia. Zikzira reforça a abordagem site-specific para locações não convencionais, procurando uma ressonância poética não confinada ao gênero. “A comunidade já abraçou o projeto, o que é maravilhoso, pois poderemos mostrar, sob um olhar artístico, um pouco da vida dos moradores do primeiro conjunto habitacional da capital”, comemora Fernanda.

Sobre o Curta-metragem

“The Big Frost” retrata a vida de uma mulher na clausura de seu apartamento, vivendo no universo de “Orlando”, que acompanha, no chamado “fluxo de consciência”, a trajetória de um jovem inglês que nasce na Inglaterra da Idade Moderna e, durante uma estada na Turquia, simplesmente acorda mulher. A personagem, dotada de imortalidade, vive 350 anos. Habitando um mundo ingênuo e recitando passagens do livro, a protagonista do curta segue, com extrema convicção, códigos aleatórios em ações que emprestam sua existência à teatralidade. Ao mesmo tempo, no andar de baixo, um homem sonâmbulo, vestindo pijamas, se movimenta cantando, aparentemente inconsolável. Sua voz de sopranista penetra no apartamento da jovem e muda todas as regras de seu jogo pessoal.

“A analogia do canto e movimento, som e corpo, remonta a idéia de reencontro do ser com a totalidade expressada na obra de arte. Neste projeto, todo o processo de criação é envolto por uma intuição que suscita um estado de plenitude entre todos os envolvidos. Uma situação que subjuga todo conhecimento acadêmico que nos acompanha e nos transporta a um lugar sem tempo, limites ou repressões”, revela Firpi. Graduado em canto pela Universidade do Estado de Minas Gerais, o sopranista já estrelou “Eu vos Liberto” (2006-2007), da Cia. Zikzira, além de diversas óperas por todo Brasil. Seu último trabalho foi o personagem “Yniold”, da ópera “Pelleas et Melissande”, de C. Debussy, apresentada no Palácio das Artes.

Criada em 1999, em Londres, a Zikzira Teatro Físico inaugurou, em 2006, o Zikzira Espaço Ação em Belo Horizonte. O local também abriga a sede do grupo na capital mineira. Ao longo dos anos, Fernanda e Semenza coreografaram e dirigiram mais de dez trabalhos que circularam tanto no Brasil quanto na Europa. Entre eles, destacam-se o longa-metragem “As Cinzas de Deus” (2003), “Eu vos liberto” (2007), inspirado na tragédia grega “Hipólito”, de Eurípedes, e Verissimilitude (2005). Cada projeto conta com a participação de um novo elenco – nacional e internacional -, entre atores, bailarinos, cineastas, designers de luz, artistas gráficos, artistas plásticos, figurinistas e músicos.

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